quinta-feira
O "Farwest" de Blair e Bush
Erick da Silva
A idéia do ataque preventivo, do atirar primeiro e perguntar depois, que tantas vidas já tirou no Iraque, fez mais uma vítima inocente, e desta vez foi um brasileiro.
Alguns dias após Londres sofrer mais um lamentável atentado terrorista, Jean Charles de Menezes foi covardemente assassinado. Dois policiais ingleses disparam oito tiros contra Jean, sendo que sete deles na cabeça, o que mostra a intenção de "deter" o jovem, que havia sido confundido com um dos terroristas responsáveis pelos ataques nos metrôs e ônibus londrinos.
Jean estava completamente desarmado, sua situação era legal, trabalhava como eletricista e seu único "delito" foi ter levantado alguma suspeita de ordem meramente subjetiva na opinião de um dos "agentes da lei". Perdeu a vida, conforme foi noticiado na grande imprensa, devido a estar usando uma jaqueta que levantou suspeitas.
E o governo britânico a única coisa que fez foi lamentar o "deslize" e declarou que continuará "atirando para matar" e reduzindo as liberdades individuais, e que agora vão se voltar de forma ainda mais odiosa e preconceituosa contra os trabalhadores imigrantes que vivem em seu país.
Tony Blair, George W. Bush e companhia, não dão mostras de nenhuma disposição de mudança em sua "Guerra Infinita". Que tantas vítimas tem feito, muito mais do que qualquer atentado terrorista injustificado.
O que começou como uma reação supostamente justificada do 11 de setembro, toma contornos cada vez piores, onde os “inimigos” a cada momento se modificam, gerando uma guerra sem fim cada vez mais extensa e permanente.
Ao se colocarem na condição de “xerifes” do planeta, todo o resto do mundo fica pressionado neste “farwest”, onde os interesses corporativos privados submetem a imensa maioria, onde as injustiças sociais apenas se aprofundam e a paz fica cada vez mais ameaçada.
Todas e todos aqueles que acreditam em uma outra lógica de política, que defenda a democracia, a solidariedade e defendem e valorizam a própria vida humana, deve se opor fortemente a esta Guerra sem fim de Bush e Blair.
quarta-feira
Humor

segunda-feira
Em Memória da Comuna
Por que, pois, não só o proletariado francês, senão o de todo o mundo rende homenagem aos homens da Comuna como a seus precursores? Qual é a herança da Comuna?
A Comuna surgiu de maneira espontânea, ninguém a preparou de modo consciente e sistemático. A funesta guerra com a Alemanha, os sofrimentos do assédio, o desemprego operário e a ruína da pequena burguesia; a indignação das massas contra as classes superiores e as autoridades que haviam demonstrado uma incapacidade absoluta; a surda efervescência no seio da classe operária, descontente de sua situação e ansiosa por um novo regime social; a composição reacionária da Assembléia Nacional, que fazia temer os destinos da república foram as causas que concorreram com outras muitas para impulsionar a população parisiense para a revolução do 18 de março, que pôs de improviso o poder nas mãos da Guarda Nacional, em mãos da classe operária e da pequena burguesia, que havia aderido aos operários.
A ele somaram-se também os patriotas com a esperança de que a Comuna renovasse a guerra contra os alemães e levasse a um desenlace venturoso. Apoiaram-no também os pequenos lojistas, em perigo de arruinamento se não se adiasse o pagamento das letras vencidas e dos aluguéis (adiamento que lhes era negado pelo governo, mas que a Comuna lhes concedeu). Por último, no começo, também simpatizaram em certo grau com ele os republicanos burgueses, temerosos de que a reacionária Assembléia Nacional (a vilanagem, os violentos latifundiários) restabelecesse a monarquia. Porém, o papel fundamental nesse movimento foi desempenhado, naturalmente, pelos operários (sobretudo os artesãos parisienses), entre os quais se havia espalhado, nos últimos anos do Segundo Império da França, uma intensa propaganda socialista, estando muitos deles inclusive filiados à I Internacional (Associação Internacional dos Trabalhadores).
Para que uma revolução social triunfe são necessárias, pelo menos, duas condições: um alto desenvolvimento das forças produtivas e um proletariado preparado para ela. Contudo, em 1871, não se deu nenhuma dessas condições. O capitalismo francês encontrava-se ainda pouco desenvolvido, a França era, então, fundamentalmente um país de pequena burguesia (artesãos, camponeses, lojistas, etc.). Por outra parte, não existia um partido operário, a classe operária não tinha preparação nem havia passado por um largo treinamento e, em sua massa, sequer havia noção totalmente clara de quais eram seus objetivos nem como se poderia alcançá-los. Não havia uma organização política séria do proletariado nem grandes sindicatos e cooperativas...
A causa da Comuna é a causa da revolução social, é a causa da completa emancipação política e econômica dos trabalhadores, é a causa do proletariado mundial. E neste sentido é imortal.
V. I. Lenin publicou este artigo originalmente naRevista Rabochaya Gazeta, No. 4–5, April 15 (28), 1911.
quinta-feira
O sol é uma estrela
Erick da Silva
A astronomia nos ensina que o universo é composto por diversos corpos celestes. Alguns deles são as estrelas, astros luminosos que mantêm praticamente as mesmas posições relativas a esfera celeste. Os quais se distinguem pela sua magnitude. O Sol, astro que ilumina a Terra, é uma estrela.
Se na astronomia este é um ponto pacífico, na política pode não parecer. A analogia se faz pertinente, ao termo em vista a compreensão da simbologia colocada no imaginário brasileiro. A estrela vermelha representa o Partido dos Trabalhadores, fruto do assenso dos movimentos populares no final da década de 70 e do processo de ampla mobilização de massas que emergiu no processo de redemocratização no país. Pela sua origem em condições singulares, pela sua formação política que introduziu um ineditismo ao negar a política conciliatória da social-democracia e o estalinismo dos PCs. E se colocar como defensor de um socialismo democrático, fomentado por uma grande diversidade de posições políticas de esquerda, institucionalizada pelo direito a livre organização em tendências. O PT representa a principal construção da esquerda brasileira no século XX.
Fazendo-se este resgate, nos parece que fica ainda mais claro o limite de alcance do recém-criado PSOL. Surgido em uma conjuntura de descenso dos movimentos sociais, o que inicialmente poderia ser visto como um ato de "defesa" frente as expulsões de parlamentares que votaram contra o governo, o que também é questionável, hoje se mostra ainda mais visível seus limites e a impossibilidades de ocupar o espaço que estaria sendo deixado pela virtual "falência" do PT.
Contando com alguns parlamentares e seus respectivos apoiadores, e alguns intelectuais e pequenos grupos regionais que saíram do PT, o PSOL carece de um maior apoio social. Diferentemente do PT que foi fruto das mobilizações sociais, o PSOL nasce a partir da articulação via parlamento. Já lhe impondo um limitador fortíssimo. E politicamente já comete alguns erros históricos, que podem ser fatais. Como por exemplo, nas eleições municipais do ano passado, quando no 2° turno em Porto Alegre havia uma disputa clara entre direita e esquerda, representadas nas candidaturas de Raul Pont e Fogaça, o PSOL optou por uma postura de isenção, quando poderia optar, de maneira mais correta, por alguma forma de apoio crítico.
Ou ainda, a total ausência de uma apresentação de políticas alternativas as implantadas pelo Governo Lula, ao qual faz oposição. Ficando apenas em uma crítica de forma, faltando conteúdo. Mas o que nos parece o maior dos erros, é a sua opção por centrar a suas ações apenas para um projeto eleitoral no ano que vêm. Antes mesmo de ter um programa e um projeto de país, já tem candidatura e já estuda as eventuais alianças.
O equívoco de estabelecer a construção partidária apenas para um eleitoralismo reduzido, é um erro que o PT levou muitos anos para cometer. Ainda que de forma desigual, pois no Rio Grande do Sul, por exemplo, o PT se estruturou sob outros valores e práticas. O PSOL, que nasceu para ser diferente, já nasce cometendo os mesmos erros. Por isso que, para o bem e para o mal, o sol é uma estrela.
Erick da Silva é estudante de História
quarta-feira
Humor

segunda-feira
Recomeçar o PT
O Partido dos Trabalhadores surgiu no cenário político brasileiro há 25 anos como uma novidade autenticamente revolucionária: foi o primeiro partido político em nosso país organizado pela classe trabalhadora, na contramão das velhas siglas manuseadas pelas elites tradicionais. O PT original se propunha a dar fundamento ao conceito republicano: era a primeira versão brasileira daquilo que os velhos jacobinos da Revolução Francesa legaram à política, uma postura ética irrenunciável, no interior de um esboço de política socialista, nem bolchevique, nem social democrata.
Além disso, nascia estreitamente ligado aos movimentos sociais, ao sindicalismo novo representado pela CUT, aos agricultores sem terra do MST, aos setores progressistas das Igrejas, especialmente a Católica, aos antigos militantes que lutaram contra a ditadura nas mais diversas organizações de esquerda que proliferam nos anos 60. Enfim, um partido laico que despertou esperanças no Brasil inteiro e semeou perspectivas através do mundo: diante do aparente triunfo (que se revelou inteiramente enganoso) do neoliberalismo, surgia uma nova esquerda, democrática, socialista, de massas, republicana e visceralmente ética.
Mas o PT chegou ao poder. Assumiu as instituições, o que não tem nada da mal, e chegou a realizar algumas rupturas no velho sistema, como a criação do Orçamento Participativo, principalmente em Porto Alegre, e no governo do Rio Grande do Sul. Mas, no conjunto do país, foi se afastando paulatinamente dos movimento sociais que lhe deram origem e, aos poucos, acabou se emaranhando na rotina do poder e da máquina burocrática nas mais diversas instâncias do Estado. E sucumbiu àquilo que Christian Rakosvky denominou “os perigos profissionais do poder” até chegarmos à constrangedora situação atual que faz sangrar dolorosamente o coração vermelho de todos os petistas.
O que fazer? O velho PT não está morto. Mas está sim gravemente enfermo. E os paliativos para a sua recuperação não resolvem o estágio preocupante da doença. A sacudida na direção nacional era uma exigência. Tarso Genro, por exemplo, agora presidente nacional petista, é um patrimônio ético do PT (quero deixar claro que tenho grande respeito por seu antecessor José Genoíno), mas não resolverá o problema.
A nova direção petista precisa, isso sim, retomar o velho programa e, em primeiro lugar, questionar radicalmente as alianças promíscuas que contaminam o governo, o nosso governo e propor, em vez das alianças pragmáticas, alianças programáticas que rompam com a atual política econômica ortodoxa e se voltem para o imenso espaço social, justificando o oceano de esperanças que significou a eleição de Lula em 2002.
Em suma, o PT só tem uma saída: recomeçar, ir ao fundo de sua história, tomá-la em suas mãos e resgatar a mística que trouxe tantas vitórias e tantas alegrias a uma militância brava e que agora está perplexa e abatida.
sexta-feira
Humor

terça-feira
Juros x déficit: um falso dilema
Os objetivos de curto prazo das políticas macro-econômicas são, em geral, combinar o máximo de ocupação com o mínimo de inflação. As políticas macro-econômicas são fundamentalmente duas: a fiscal, que manipula a despesa e a receita pública, e a monetária, que determina a taxa “oficial” de juros, tendo em vista influir sobre o custo e o volume do crédito. Tanto a inflação como a ocupação dependem da relação entre demanda total e oferta total de mercadorias (bens e serviços). Se a demanda for elevada em relação à oferta, tanto a inflação como a ocupação tendem a subir; se, pelo contrário, a demanda for baixa em relação à oferta, tanto inflação quanto ocupação tendem a cair.
As políticas macro-econômicas de curto prazo influem diretamente na demanda agregada ou total. Se a política fiscal expandir o gasto público acima da receita, o déficit resultante expande a demanda; e vice-versa, se o gasto público for cortado até ficar menor que a receita, o superávit assim produzido reduz a demanda. O mesmo se aplica à política monetária: se ela baratear o crédito, ela expandirá o consumo e o investimento e, portanto, a demanda. Se ela encarecer o crédito, o efeito será o oposto e a demanda será diminuída.
O saldo das contas públicas e a taxa oficial de juros são instrumentos que o poder público usa para tentar determinar uma taxa de crescimento do PIB que atinja as duas metas: uma taxa de ocupação socialmente aceitável e uma taxa de inflação suficientemente baixa para que a indexação dos preços não se torne uma reivindicação irresistível dos assalariados. O governo brasileiro faz isso ao impor à sua política fiscal uma meta bastante alta de superávit primário e ao dirigir sua política monetária para metas anuais de inflação decrescentes.
A proposta de Delfim Neto é de reforçar a tendência recessiva da política fiscal para permitir uma queda posterior da taxa de juros. O viés da proposta é recessivo. Ela pretende engessar o gasto corrente do governo federal com educação e saúde, desvinculando mais 20% do mesmo, para conquistar a confiança dos “investidores” (dos ricos) na capacidade do governo de servir sua dívida. A promessa de Delfim é que isso permitirá em seguida a diminuição dos juros, o que poderá vir a suscitar nova retomada da atividade e aumento do nível de ocupação. Acontece que, se a proposta fosse implementada deste modo, a recessão seria certa e a recuperação uma probabilidade, na melhor das hipóteses.
Mas, o dilema entre mais arrocho fiscal para alcançar um possível alívio creditício é falso. Os juros podem ser reduzidos a partir de agora, sem que os “investidores” percam a confiança no governo, porque eles foram aumentados exagerada e desnecessariamente em primeiro lugar. O próprio Delfim Neto, em suas colunas na imprensa, desancou repetidamente a política monetária recessiva praticada nos últimos 10 meses. A contenção do gasto social do governo é totalmente dispensável para desfazer o que não passou dum erro lamentável da política monetária, criticada pela maioria dos economistas.
A proposta do “déficit zero” é dirigida ao mercado financeiro, para tentar impedir que a crise política, que hoje atinge o governo e o PT, venha a inquietá-lo. Ela oferece o sacrifício das camadas pobres da população, que dependem do ensino público, da assistência pública à saúde e dos programas públicos de transferência de renda, aos detentores do excedente financeiro para que mantenham os investimentos no país e especificamente nos papéis da dívida pública, apesar da intensa campanha de denúncias da mídia contra o governo e o Partido dos Trabalhadores.
Isso ficou claro quando a proposta, inicialmente apresentada ao Presidente e seus ministros, foi submetida a uma seleta audiência de grandes empresários, sem qualquer preocupação de consultar os outros setores da população. A proposta é de jogar nas costas dos setores carentes – de forma permanente, por meio duma emenda à Constituição – os efeitos sociais e econômicos da crise política, para conservar o apoio dos setores privilegiados ao governo e à sua política. Ela merece o repúdio que vem recebendo de todos que priorizam o combate à desocupação e à miséria, o qual exige a expansão do gasto social do governo e a urgente redução do gasto do governo com o serviço da dívida pública, através da redução das taxas de juros.
segunda-feira
Humor

sexta-feira
Um país para poucos
Erick da Silva*
O Brasil é um país de imensas potencialidades. No território brasileiro temos a maior quantidade e diversidade de minérios que se tem conhecimento, temos reservas de petróleo que podem nos dar auto-sustentabilidade energética, a maior proporção do mundo de água doce e a maior biodiversidade. Ainda assim, é um país pobre, onde a maioria da população é carente de condições dignas de vida.
Este quadro contraditório não ocorre devido à nenhum mistério. Tem razões e motivos claros. Que se verifica desde a sua formação. O Brasil foi colônia portuguesa de 1500 à 1822. Foram mais de três séculos de roubo das riquezas naturais, extorsão por meio de tributos, escravidão e genocídio. Depois do domínio de Portugal, o Brasil continuou submetido a Inglaterra, depois aos EUA e, atualmente, às empresas e bancos transnacionais.
Levando a observar um quadro de formação nacional que tem como marca principal a injustiça e as desigualdades sociais. Explicando, em parte, a manutenção da imensa maioria empobrecida, devido diretamente a concentração de riquezas na mão de poucos. Pesquisa do IPEA, demonstra que em 2002, o 1% mais rico da população possui a mesma fatia da renda nacional ganha pelos 50% mais pobres.
Os motivos que geram esta concentração são diversos. Mas destacaríamos a falta de democracia econômica, a política fiscal dos governos, que prioriza o gasto com pagamentos dos juros das dívidas interna e externa aos banqueiros e com isto corta gastos com infra-estrutura e serviços públicos. Outro fator é a política tributária, que beneficia os que tem muito e taxa principalmente os consumidores. Além da falta de mecanismos de controle sobre a entrada e saída de capital do país.
O Brasil possui a quarta maior concentração de renda do mundo. Que desemboca em um cenário de alargamento do fosso que separam a minoria abastada da grande maioria do povo. Este quadro não é irreversível, pode e deve ser superado ou suprimido. E só é possível quando a população se mobilizar para pressionar por mudanças que democratizem a renda e riqueza. Onde o Brasil que é rico de recursos passe também a ser rico em igualdade e justiça social. Deixando de ser um país para poucos.
Erick da Silva é estudante do curso de história
quinta-feira
Humor
